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FAE925 - Processos e Discursos Educacionais III : Historiografia e História da Educação do Brasil

Turma: A

Sala: 2115

Data de início: 04/08/2026

Data de término: 17/11/2026

N° total de vagas: 20

Tipo: Obrigatória

Carga horária: 60 horas

Vagas para eletivas: Sim

Vagas para isoladas: Não

Docentes responsáveis
Docentes externos

Renata Garcia Campos Duarte

Horários

Ementa

Eurocentrismo e a escrita da história da educação brasileira. Colonialismo e colonialidade do poder, do ser e do saber. Pedagogias da opressão e pedagogias da resistência: práticas educativas, organização de instituições escolares, políticas de educação, concepções pedagógicas, movimentos sociais. Sujeitos da educação: interseccionalidades de classe social, raça, geração e gênero.

Programa

Unidade I – Historiografia da educação do Brasil 

– Eurocentrismo, historicídio e a escrita da história da educação brasileira 

– O “antimundo” e as histórias de educações em outras escritas e falares 

– Crônicas reais, relatos de viagens, cartas missionárias, primeiras escritas  

– Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e a institucionalização da historiografia positivista: história das ideias pedagógicas e das legislações – séculos XIX-XX 

– Organização da pós-graduação e a pesquisa histórica de educação: configuração do campo – séculos XX-XXI  

Unidade II – Colonialismo, colonialidade e história da educação 

2.1 – Multilinguismo e imposição da língua portuguesa: jesuítas, reforma pombalina e outras formas de dizimação/controle das línguas das populações subalternizadas  

2.2 – Pedagogias da opressão: o epistemicídio das populações indígenas e das populações negras traficadas  

2.3 – Pedagogias da resistência: quilombolas, revoltas de escravizados, imprensa negra, movimento abolicionista 

2.4 – Aldeamentos civilizacionais na formação da nação 

Unidade III – Escolarização, pedagogia eurocêntrica e movimentos sociais 

3.1 – Escolarização de crianças e desigualdades escolares 

3.2 – Ensino secundário e ensino superior 

3.3 – Pedagogia eurocêntrica: branqueamento da população, imigração, movimento da escola nova 

3.4 – Autoritarismo e educação: regime civil-militar, movimento escola sem partido, escola civil-militar 

3.5 – Movimentos sociais e educação: movimento operário; movimento negro; movimento de educação popular; movimento estudantil; movimento feminista e feminismo negro; movimento de educação do campo

Bibliografia

ALONSO, Angela. Flores, votos e balas: o movimento abolicionista brasileiro (1868- 88). São Paulo: Companhia das Letras, 2015.     

AZEVEDO, Elciene. Orfeu de Carapinha: a trajetória de Luiz Gama na imperial cidade de São Paulo. Campinas: Editora da UNICAMP, 1999.  

BARBOSA, Marialva. Escravos e o mundo da comunicação: oralidade, leitura e escrita no século XIX. Rio de Janeiro: Mauad X, 2016.  

BARROS, Surya P. Universo letrado, educação e população negra na Parahyba do Norte (Século XIX). 2017. Tese (Doutorado em Educação) – Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2017.  

BERGAMINI, Atilio. Escravos: escrita, leitura e liberdade. Leitura: Teoria & Prática, Campinas, São Paulo, v. 116, v.35, n.71, p.115-136, 2017.  

CARTAS jesuíticas. Publicações da Academia Brasileira. Coleção Afrânio Peixoto. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1933. 

CARVALHO, Marta Maria Chagas de. A configuração da historiografia educacional brasileira. In: FREITAS, Marcos Cezar de (org.). Historiografia brasileira em perspectiva. São Paulo: Contexto, 2010. 

CEZAR, Temístocles. Lições sobre a escrita da história: as primeiras escolhas do IHGB. A historiografia brasileira entre os antigos e os modernos. In: NEVES, Lucia Maria Bastos Pereira das et al. (org.). Estudos de historiografia brasileira. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2011. p. 93-124. 

COWLING, Camillia. Concebendo a liberdade: mulheres de cor, gênero e a abolição da escravidão nas cidades de Havana e Rio de Janeiro. Campinas, SP: Editora da UNICAMP, 2018.  

D'AVILA, Jerry. Diploma de brancura: política social e racial no Brasil (1917-1945). São Paulo: Editora UNESP, 2006. 

DOMINGUES, Petrônio. Um "templo de luz": Frente Negra Brasileira (1931-1937) e a questão da educação. Revista Brasileira de Educação, v.13, n.39, p.517-534, dez 2008.  

FONSECA, Marcus Vinícius. A educação dos negros: uma nova face do processo de abolição da escravidão no Brasil. Bragança Paulista: EDUSF: 2002.  

FONSECA, Marcus Vinícius. População negra e educação: o perfil racial das escolas mineiras no século XIX. Belo Horizonte: Mazza, 2009.  

GALVÃO, Ana Maria de Oliveira. Analfabetismo, práticas de cura e população negra: uma análise da produção discursiva da imprensa brasileira na década de 1850. Revista Práxis Educacional, v. 18, n. 49, p.1-24, 2022. 

GOMES, Nilma Lino. O movimento negro educador: saberes construídos na luta por emancipação. Petrópolis, RJ: Vozes, 2017.   

GÂNDAVO, Pero de Magalhães. História da província de Santa Cruz a que vulgarmente chamamos Brasil. Brasília: Senado Federal, 2008. (Coleção Senado, v. 100). 

GONDIM, Neide. A invenção da Amazônia. São Paulo: Marco Zero, 1994. 

HAMPÂTÉ BÂ, Amadou. Tradição oral viva. In: KI-ZERBO, Joseph (org.). História geral da África, v. I: metodologia e pré-história da África. Brasília: UNESCO, 2010. 

IGLÉSIAS, Francisco. Historiadores do Brasil: capítulos de historiografia brasileira. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2000. 

LANDER, Edgardo (org.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais: perspectivas latino-americanas. Buenos Aires: CLACSO, 2005. 

LEONARDI, Victor. Entre árvores e esquecimentos: história social nos sertões do Brasil. Brasília: Editora UnB, 1996. 

LIMA, Heloísa Pires; HERNANDES, Leila Leite. Toques do griô: memórias sobre contadores de histórias africanos. São Paulo: Melhoramentos, 2010. 

LUZ, Itacir Marques da. Compassos Letrados: artífices negros entre instrução e ofício no Recife (1840-1860). Recife: Editora Universitária da UFPE, 2013.     

MAC CORD, Marcelo. Artífices da cidadania: mutualismo, educação e trabalho no Recife Oitocentista. Campinas: Editora da UNICAMP, 2013.    

MAC CORD, Marcelo; ARAÚJO, Carlos E. M. de; GOMES, Flávio dos Santos (Orgs.). Rascunhos cativos: educação, escolas e ensino no Brasil escravista. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2017.  

MATTOS, Isabel Missagia de. Civilização e revolta: os Botocudos e a catequese na Província de Minas. Bauru: EDUSC; ANPOCS, 2004. 

MIGNOLO, Walter D. Histórias locais/projetos globais: colonialidade, saberes subalternos e pensamento liminar. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2003. 

MIKI, Yuko. Fronteiras da cidadania: uma história negra e indígena do Brasil pós-colonial. Campinas: Editora da UNICAMP, 2022. 

PERES, Eliane. A aprendizagem da leitura e da escrita entre negras e negros escravizados no Brasil: as várias histórias dos “sem arquivos”. Cadernos de História da Educação, v.19, n.1, p.149-166, fev.2020.    

PINTO, Ana Flávia Magalhães. Imprensa negra no Brasil do século XIX. São Paulo: Selo Negro, 2010.     

PINTO, Ana Flávia Magalhães. Escritos de liberdade: literatos negros, racismo e cidadania no Brasil Oitocentista. Campinas: Editora da UNICAMP, 2018.   

POTIGUARA, Ezequiel Maria. Etno-história: a história segundo um Potiguara. Goiânia: Cegraf UFG, 2025. 

REIS, João José. Rebelião escrava no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.  

REIS, João José. Ganhadores: a greve negra de 1857 na Bahia. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

REVISTA BRASILEIRA DE HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO, n.4, Dossiê: Negros e a Educação, 2002.   

REVISTA BRASILEIRA DE HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO, v. 22, n. 1, Dossiê: História da Educação e Populações Negras, 2022.   

ROMÃO, Jeruse (Org.). História da Educação do Negro e outras histórias. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade, 2005.  

SCHWARCZ, Lilia M.; GOMES, Flávio (orgs.). Dicionário da escravidão e da liberdade. São Paulo: Companhia das Letras, 2018.  

SETH, Sanjay. Razão ou raciocínio? Clio ou Shiva? História da Historiografia, Ouro Preto, n. 11, p. 173-189, abr. 2013. 

SILVA, Rosa Virgínia Mattos e. Ensaios para uma sócio-história do português brasileiro. São Paulo: Parábola Editorial, 2004. 

STEPAN, Nancy Leys. A hora da eugenia: raça, gênero e nação na América Latina. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2005. 

THOMAS, Georg. Política indigenista dos portugueses no Brasil: 1500-1640. São Paulo: Loyola, 1982. 

VEIGA, Cynthia Greive. Histórias de Educações: comemorar os 40 anos do GT 02 e celebrar as gerações de pesquisadoras e pesquisadores na historiografia da educação no Brasil. Revista Brasileira de História da Educação, 26(1), e407. 

VEIGA, Cynthia. Subalternidade e opressão sociorracial: questões para a historiografia da educação latino-americana. São Paulo: UNESP, 2022.    

VESPÚCIO, Américo. Novo mundo: as cartas que batizaram a América. Rio de Janeiro: Fundação Darcy Ribeiro, 2012. 

VIANA, Iamara et. al. Dos letramentos: escravidão, escolas e professores no Brasil Oitocentista. Rio de Janeiro: Malê, 2022.     

VIANA, Iamara; RIBEIRO NETO, Alexandre; GOMES, Flávio. Escritos insubordinados entre escravizados e libertos no Brasil. Estudos Avançados, v.33, n.96, p.155-177, 2019. 

XAVIER, Libânia Nacif et al. (org.). História da educação no Brasil: matrizes interpretativas, abordagens, fontes predominantes na primeira década do século XXI. Vitória: EDUFES, 2011.